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André Cardoso - Instituto Tricontinental de Pesquisa Social

Olá amigos e amigas,

Espero encontrá-las bem. Segue mais um Giro Econômico, com principais acontecimentos do Brasil e do mundo, da última semana de outubro.

Indico também o artigo sobre a conjuntura política e econômica brasileira escrita pelos professores André Singer, Christian Duker, Cicero Araújo, Felipe Loureiro, Laura Carvalho, Leda Paulani, Ruy Braga, Silvio Almeida e Vladimir Safatle, com o título autoexplicativo Força da narrativa de Bolsonaro sobre Covid-19 incida que tormento não vai passar tão cedo.

O Giro Econômico é uma publicação semanal do Instituto Tricontinental. Visitem nossa página da internet e confira outros trabalhos.Sugestões e críticas são sempre bem vindas.

 

Síntese: Os fluxos globais de Investimento Estrangeiro Direto (IED) caíram 49% no primeiro semestre de 2020; na Ásia a queda foi de 12%, na África 28% e na América Latina e no Caribe 25%. O PIB real dos EUA aumentou a uma taxa anual de 33,1% no terceiro trimestre de 2020, mas ainda 3,5% abaixo de seu pico anterior. Na OMC, EUA rejeitam a candidata nigeriana para a vaga de diretora-geral do órgão, que seria a primeira mulher na liderança. O Ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega reforça a profunda preocupação com relação ao aumento do desmatamento da Amazônia e o impacto sobre os povos indígenas. O governo federal lançou um decreto presidencial nomeado de Estratégia Federal de Desenvolvimento (EFD) para o período de 2020 a 2031, que tem como pano de fundo uma agenda de reformas que prevê um crescimento de até 46,4% do PIB até 2031. O IED no Brasil para o mês de setembro teve uma queda de 73,3%. Sinais contraditórios são apresentados nos índices de confiança medidos pela FGV; O Índice de Confiança da Indústria (ICI) em outubro avançou 4,5 pontos, enquanto o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) recuou 3,8 pontos no mesmo mês.    O consumo em supermercados em setembro apresentou um aumento de 1,3% no valor total gasto, já em relação ao consumo em restaurantes, o segmento registrou queda de -25,7% no valor total gasto. A última reunião realizada essa semana pelo Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central manteve a taxa Selic em 2% ao ano, com uma avaliação de muita incerteza no cenário global. Na balança de pagamentos, as transações correntes foram superavitárias em setembro com US$ 2,3 bilhões, ante déficit de US$ 2,7 bilhões no mesmo mês de 2019. O resultado primário do Governo Central no acumulado do ano passou de um déficit de R$ 72,5 bilhões em 2019 para um déficit de R$ 677,4 bilhões em 2020. Em setembro foram criados 313.564 novos postos de trabalho com carteira assinada, com um total de 697 mil empregos no terceiro trimestre de 2020, embora no acumulado do ano foram fechados 558.597 postos de trabalho. A taxa de desemprego do trimestre de junho a agosto de 2020 foi de 14,4%, sendo a mais alta da série histórica iniciada em 2012 medida pelo IBGE. Com a crise econômica acentuada pela pandemia de Covid-19, a concessão de subsídios à produção industrial e às exportações cresceu globalmente. O volume de subsídios no mundo aumentou 107,6% no primeiro semestre de 2020 na comparação com o mesmo período de 2019. As multinacionais de bens de consumo foram impactadas positivamente na América Latina por conta do impacto do Auxílio Emergencial na população brasileira, com ganhos em suas receitas no Brasil. A Vale registrou lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre, alta de 138,7% em relação ao mesmo período de 2019. As “Big Techs” (Facebook, Amazon, Apple e Alphabet) também tiveram bons resultados no terceiro trimestre, com uma receita total de mais de US$ 228 bilhões.

INTERNACIONAL

1. Os fluxos globais de Investimento Estrangeiro Direto (IED) caíram 49% no primeiro semestre de 2020 em comparação a 2019, devido à queda econômica da COVID-19, como aponta o mais recente Monitor de Tendências de Investimento Global da UNCTAD. As economias desenvolvidas tiveram a maior queda, com o IED alcançando uma estimativa de US$ 98 bilhões no período de seis meses – uma queda de 75% em relação ao ano anterior. Os fluxos de IED para a América do Norte caíram 56%. A redução de 16% nos fluxos de IED para as economias em desenvolvimento foi menor do que o esperado, principalmente por conta do investimento resiliente na China. Os fluxos diminuíram apenas 12% na Ásia e foram 28% e 25% menores do que em 2019 na África e na América Latina e no Caribe, respectivamente.

2. O PIB real dos EUA aumentou a uma taxa anual de 33,1% no terceiro trimestre de 2020, de acordo com a estimativa “antecipada” divulgada pelo Bureau of Economic AnalysisNo segundo trimestre, o PIB real havia apresentado uma queda de -31,4%. Mesmo com esse crescimento, o PIB dos EUA está 3,5% abaixo de seu pico anterior. As estimativas para o próximo trimestre são de um crescimento de 6%. A nova onda de contágio no país é um dos grandes riscos da continuidade da recuperação da atividade econômica.

3. Na Organização Mundial do Comércio (OMC), os EUA foi o único país a rejeitar a candidata nigeriana para a vaga de diretora-geral do órgão, que seria a primeira mulher a ocupar a liderança da instituição, aumentando as tensões do país dentro da OMC.

4. O excesso de capacidade de aço no mundo cresceu de 395 milhões para 521 milhões de toneladas, com a demanda deprimida com a crise global intensificada ainda mais com a pandemia. Segundo a declaração do Fórum Global sobre o Excesso de Capacidade do Aço ocorrida nesta semana, a indústria siderúrgica é importante para o emprego, com mais de seis milhões de trabalhadores diretamente empregado mundialmente neste setor e milhões a mais na sua cadeia de fornecimento global. O excesso de capacidade é prejudicial não apenas para a indústria siderúrgica, mas uma ameaça a toda cadeia produtiva no longo prazo. Apesar da China (que representa quase 50% da produção global do aço), Arábia Saudita e Índia terem deixado o Fórum este ano, o pedido é que os governos atuem de forma mais incisiva sobre este problema e apelam para que os não-participantes também se envolvam nas negociações. A carta foi assinado por 29 países (G20 e alguns da OCDE).

CRESCIMENTO ECONÔMICO BRASILEIRO

5. Em entrevista ao Valor Econômico, o Ministro do Clima e Meio Ambiente da Noruega reforça a profunda preocupação em relação ao aumento do desmatamento da Amazônia e o impacto sobre os povos indígenas, afirmando que o Fundo Amazônia só poderia voltar a funcionar caso o governo brasileiro demonstrasse vontade política de que a ilegalidade não seria tolerada e o desmatamento seria contido.

6. Apesar dos recentes avanços na transformação digital, o Brasil está atrasado no investimento em inovação e no nível de capacitação da sua mão de obra nesta área, é o que aponta o relatório “A caminho da Era Digital no Brasil”, feito pela OCDE. O texto recomenda uma melhor coordenação das políticas de transformação digital entre ministérios e agências governamentais e maiores recursos para a Estratégia Brasileira de Transformação Digital (E-Digital). A organização também produziu uma “Avaliação da OCDE sobre Telecomunicações e Radiodifusão no Brasil 2020”, que destaca que o futuro leilão do espectro 5G deve ser cuidadosamente desenhado para garantir uma cobertura de rede ideal e condições de concorrência.

7. O governo federal lançou um decreto presidencial nomeado de Estratégia Federal de Desenvolvimento (EFD). O documento tem como pano de fundo uma agenda de reformas  para o período de 2020 a 2031 e apresenta 36 metas distribuídas em cinco eixos, considerando três cenários. O primeiro, o de referência, pressupõe a aprovação de reformas macroeconômicas e uma taxa média de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 2,2% ao ano, ou 27% no período. O cenário mais otimista, chamado de “transformador”, considera que, além destas reformas, seriam aprovadas reformas microeconômicas e melhorado o nível de educação, fazendo com que o PIB crescesse 3,5% ao ano ou 46,4% até 2031. O terceiro cenário não teria aprovação de reformas. Neste caso, a política fiscal ficaria descontrolada e o país poderia até não conseguir refinanciar sua dívida.

8. Os ingressos líquidos em investimentos diretos no país (IDP) somaram US$ 1,6 bilhão no mês de setembro de 2020, ante US$ 6 bilhões observados no mesmo mês de 2019, representando uma queda de 73,3%. Nos doze meses encerrados em setembro de 2020, o IDP passou de US$ 65,1 bilhões (4,03% do PIB) em junho para US$ 50 bilhões (3,31% do PIB), apresentando tendência de queda desde então, segundo estatísticas do setor externo do Banco Central.

9. Sinais contraditórios são apresentados nos índices de confiança medidos pela FGV. O Índice de Confiança da Indústria (ICI) avançou 4,5 pontos em outubro, alcançado 111,2 pontos, o maior nível desde abril de 2011 (111,6 pontos). Dezesseis dos 19 segmentos industriais pesquisados indicaram aumento da confiança. O Índice de Situação Atual (ISA) subiu 6,4 pontos, totalizando 113,7 pontos, o maior valor desde novembro de 2010 (13,8 pontos). O Índice de Expectativas (IE) cresceu 2,7 pontos, para 108,6 pontos, o maior desde maio de 2011 (110,0 pontos). O Nível de Utilização da Capacidade instalada aumentou 1,6 ponto percentual, de 78,2% para 79,8%, maior valor desde novembro de 2014 (70,3%).

10. Já o Índice de Confiança do Comércio (ICOM) recuou 3,8 pontos em outubro, passando de 99,6 para 95,8 pontos, interrompendo uma sequência de cinco altas consecutivas. A queda das expectativas mostra que os empresários estão se tornando cada vez mais cautelosos com a sustentabilidade da recuperação. A falta de confiança do consumidor e a incerteza sobre o período pós programas de auxílio do governo, parecem contribuir para esse sinal de alerta. O Índice de Situação Atual (ISA-COM) recuou 1,5 ponto, fechando em 105,1 pontos. Já o Índice de Expectativas (IE-COM) caiu 5,8 pontos e encerrou em 86,6 pontos, registrando o maior valor desde o início da pandemia.

11. O consumo em supermercados apresentou um aumento de 1,3% no valor total gasto no mês de setembro (em relação ao mesmo mês de 2019), crescimento similar ao do número de estabelecimentos que realizaram transações utilizando como meio de pagamento o benefício alimentação no período (+1,2%). Por outro lado, informações do último mês ainda sustentam uma queda de -12% no volume de transações realizadas, na mesma base de comparação (setembro de 2019). Já em relação ao consumo em restaurantes, o segmento registrou queda de -25,7% no valor total gasto, acompanhada por uma retração de -45,6% no volume de transações realizadas com benefício refeição (em comparação a setembro de 2019). É o que mostra os Índices de Consumo em Supermercados e em Restaurantes medido pela Fipe e Alelo.

CRÉDITO, DÍVIDA E JUROS

12. A última reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Centralrealizada esta semana, manteve a taxa Selic em 2% ao ano. O relatório aponta que a forte retomada em alguns setores produtivos parece sofrer alguma desaceleração no cenário externo, em parte devido à ressurgência da pandemia em algumas das principais economias. Há bastante incerteza sobre essa evolução, frente a uma possível redução dos estímulos governamentais e a própria dinâmica da Covid-19. No Brasil, há uma recuperação desigual entre setores, similar à que ocorre em outras economias. Os setores mais diretamente afetados pelo distanciamento social permanecem deprimidos, apesar da recomposição da renda gerada pelos programas de governo. Com isso, a projeção para a inflação foi elevada para o restante dos meses do ano, tendo como principais variáveis a alta nos preços dos alimentos e bens industriais, depreciação persistente do Real, elevação do preço das commodities e dos programas de transferência de renda. A expectativa da inflação para 2020 é de 3% (na última reunião era de 1,9%) e de 3,1% para 2021. A taxa de câmbio se elevou para R$ 5,60/US$ (na última reunião era de R$ 5,30/US$)

13. Em setembro, o crédito ampliado ao setor não financeiro alcançou R$ 11,4 trilhões (158,6% do PIB), aumento de 2,1% no mês e de 13,9% em doze meses. A variação mensal refletiu acréscimos de 1,9% nos empréstimos e financiamentos (notadamente no crédito do SFN), de 2,3% nos títulos de dívida (destacando-se os títulos públicos) e de 2,2% em dívida externa (refletindo o impacto da depreciação cambial de 3,1%). O crédito ampliado a empresas e famílias totalizou R$ 6,5 trilhões (90,7% do PIB), com elevações de 1,9% no mês e de 17% em doze meses. No mês, os empréstimos e financiamentos cresceram 1,9%, segundo as estatísticas monetárias e de crédito do Banco Central.

CONTAS PÚBLICAS

14. Na balança de pagamentos, as transações correntes continuaram superavitárias em setembro pelo sexto mês consecutivo, com US$ 2,3 bilhões ante déficit de US$ 2,7 bilhões no mesmo mês de 2019. Essa reversão decorreu do aumento de US$ 2,1 bilhões no superávit da balança comercial de bens e das reduções de US$ 2,1 bilhões nos déficits em renda primária e de US$ 885 milhões nos déficits em serviços. No acumulado do ano, as exportações e as importações recuaram 7,5% e 13,7%, respectivamente, resultando em superávit comercial de US$ 37 bilhões, superior aos US$ 30,7 bilhões observados no mesmo período de 2019, segundo as estatísticas do setor externo do Banco Central. O estoque de reservas internacionais atingiu US$ 356,6 bilhões em setembro.

15. No mês de setembro, o resultado primário do Governo Central (receitas menos despesas, excluído a conta com juros) a preços correntes foi deficitário em R$ 76,2 bilhões, contra déficit de R$ 20,5 bilhões em setembro de 2019. Em termos reais, a receita líquida cresceu R$ 403,2 milhões (+0,4%), enquanto a despesa total aumentou R$ 55,4 bilhões (+43,5%), quando comparados a setembro do ano passado, segundo os dados do Tesouro Nacional.  No acumulado do ano, o resultado do Governo Central passou de déficit de R$ 72,5 bilhões em 2019 para um déficit de R$ 677,4 bilhões em 2020. Em termos reais, a receita líquida apresentou uma queda de R$ 138,9 bilhões (-14,3%) e a despesa total cresceu R$ 470,5 bilhões (+45,0%), quando comparados ao mesmo período de 2019

INFLAÇÃO E ALIMENTOS

16. O Índice Geral de Preços – Mercado (IGP-M), da FGV/Ibre variou 3,23% em outubro, percentual inferior ao apurado em setembro, quando havia apresentado taxa de 4,34%. No acumulado do ano a alta é de 18,1% e de 20,93% em 12 meses. Em outubro de 2019, o índice havia subido 0,68% e acumulava alta de 3,15% em 12 meses. O Índice de Preços ao Produtor Amplo (IPA) variou 4,15% em outubro, ante 5,92% em setembro. O Índice de Preços ao Consumidor (IPC) subiu 0,77% em outubro, ante 0,64% em setembro.

17. O Índice Nacional de Custo da Construção – M (INCC-M), medido pela FGV/Ibre, subiu 1,69% em outubro, percentual superior ao apurado no mês anterior, quando o índice registrou taxa de 1,15%. Com este resultado, o índice acumula alta de 6,34% no ano e de 6,64% em 12 meses. A taxa do índice relativo a Materiais, Equipamentos e Serviços passou de 2,4% em setembro para 3,37% em outubro. O índice referente à Mão de Obra variou de 0,06% em setembro para 0,19% em outubro.

MERCADO DE TRABALHO E RENDA

18. Em setembro foram criados 313.564 novos postos de trabalho com carteira assinada, sendo o terceiro mês seguido com saldo positivo, com um total de 697 mil empregos no terceiro trimestre do ano, segundo os dados do Cadastro geral de Empregados e Desempregados (Caged)Contudo, no acumulado do ano foram fechados 558.597 postos de trabalho. No mês foram admitidos 1.379.509 pessoas e outras 1.065.945 foram demitidas. Na comparação com o mês de agosto, houve uma alta de 9% nas contratações. O estoque de empregos formais fechou em 38.251.026 vínculos; em 2019 eram 39.172.204 vínculos. No Benefício Emergencial estão cobertos 9.777.442 de trabalhadores até outubro, atendidos por 1.456.821 empregadores; destes, 84,3% se encontram no regime de suspensão temporária de contratos.

19. A taxa de desemprego medida pela PNAD-Contínua/IBGE do trimestre de junho a agosto de 2020 foi de 14,4%, sendo a mais alta da série histórica iniciada em 2012, com o crescimento de 1,6 ponto percentual (p.p) em relação ao trimestre de março a maio (12,9%) e 2,6 p.p. frente ao trimestre junho a agosto de 2019 (11,8%). São 13,8 milhões de pessoas desempregadas. A população fora da força de trabalho estava em 79,1 milhões de pessoas e as ocupadas em 81,7 milhões. A taxa de informalidade era de 38%.

EMPRESAS (INDÚSTRIA, COMÉRCIO, SERVIÇOS E AGRONEGÓCIO)

20. Com a crise econômica acentuada pela pandemia da Covid-19, a concessão de subsídios à produção industrial e às exportações cresceu globalmente. O volume de subsídios no mundo aumentou 107,6% no primeiro semestre de 2020, na comparação com o mesmo período de 2019, passando de 1.492 para 3.098, segundo Levantamento da Confederação Nacional da Indústria (CNI)As propostas da entidade ao governo brasileiro reforçam o alinhamento do Brasil aos EUA na OMC e nas relações bilaterais, com pouca ou nenhuma proposta de desenvolvimento nacional.

21. As principais notícias de investimentos no Brasil têm como destaque a empresa de celulose Bracell, pertencente ao grupo Royal Golden Eagle (RGE) de Cingapuraque indicava planos de produzir 1,5 milhão de toneladas anuais de celulose em sua unidade em Lençois Paulista (SP); agora aponta para a instalação da maior caldeira de recuperação do mundo, podendo chegar a produção de 2,8 milhões de toneladas. Os investimentos estão estimados em R$ 8 bilhões.

22. Outra notícia de investimento foi o anúncio da montadora de caminhões Scania, que investirá R$ 1,4 bilhão em sua planta de São Bernardo do Campo no período de 2021 a 2024, tendo como objetivo a atualização da fábrica de motores com foco na tecnologia de combustível a gás. Esse anúncio foi o resultado da negociação da empresa com o sindicato dos trabalhadores em manter a vida, o emprego e a renda, como afirma o coordenador sindical.

23. Levantamento do Valor Econômico mostra como os resultados das multinacionais de bens de consumo na América Latina foram impactadas positivamente com o Auxílio Emergencial no Brasil. A receita da Eletrolux no continente teve um aumento de 3,6%; o crescimento foi atribuído a demanda brasileira e os incentivos do governo federal. A Unilever (dona das marcas Maizena e Hellmann’s) também apontou que as vendas no mercado brasileiro voltaram a crescer no terceiro trimestre por conta do Auxílio Emergencial; sua receita na AL cresceu 2,1%. A Whirlpool (dona das marcas Consul e Brastemp) teve um crescimento em sua receita de 13,7% com destaque para o Brasil. A Coca-Cola, Nestlé e L’Oréal também apresentaram resultados positivos por conta do país.

24. A Vale registrou lucro líquido de R$ 15,6 bilhões no terceiro trimestre, alta de 138,7% em relação ao mesmo período de 2019. No mesmo período do ano passado, o lucro líquido foi de R$ 6,5 bilhões. O desempenho foi influenciado pelo aumento de 26% dos preços realizados de minério de ferro e pelo aumento de 20% no volume de vendas do produto no terceiro trimestre. Já a Petrobras apresentou prejuízo de R$ 1,5 bilhões no terceiro trimestre. O prejuízo foi puxado por efeitos não recorrentes, como adesão a programas de anistia tributária e recompra de títulos. Desconsiderados esses itens, a estatal teria reportado lucro líquido de R$ 3,2 bilhões.

25. As “Big Techs” (Facebook, Amazon, Apple e Alphabet) também tiveram bons resultados no terceiro trimestre, com uma receita total de mais de US$ 228 bilhões. O lucro líquido somado foi de US$ 38 bilhões no trimestre.

ESPECIAL COVID-19

26. Até o momento, o governo federal liberou R$ 231,2 bilhões para o Auxílio Emergencial; foram realizados 356,2 milhões de pagamentos e 67,7 milhões de pessoas foram beneficiadassegundo a Caixa.

27. No monitoramento de gastos da União com a Covid-19, o Tesouro Nacional mostrou que já foram gastos R$ 452,6 bilhões (na semana passada eram R$ 457 bilhões) de uma previsão de R$ 587,7 bilhões (ante os R$ 587,5 bilhões da semana anterior). Os maiores valores foram com o Auxílio Emergencial a Pessoas em Situação de Vulnerabilidade (R$ 241,48 bilhões), Auxílio Financeiro aos Estados, Municípios e DF (R$ 78,05 bilhões), Despesas Adicionais do Ministério da Saúde e Demais Ministérios (R$ 38,84 bilhões) e Cotas dos Fundos Garantidores de Operações e de Crédito (R$ 47,9 bilhões).

Boa Leitura!
André Cardoso
Instituto Tricontinental de Pesquisa Social

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