‘A verdadeira eleição é a de 2022’, diz Marcos Coimbra

Redação RBA
Daqui a dois anos, de fato, ocorrerá no país “a eleição em que pode haver uma retomada”
São Paulo – Logo após encerrada a votação do segundo turno das eleições municipais, e antes de conhecidos os resultados, o sociólogo e presidente do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra, avaliou que a importância de 2020 no calendário eleitoral do país é relativa. “A verdadeira eleição é a de 2022 (quando se realizam as eleições presidenciais, para os governos estaduais e para o Congresso Nacional)”, disse, em entrevista ao programa programa Brasil TVT. De acordo com ele, daqui a dois anos ocorrerá de fato “a eleição em que pode haver uma retomada, uma reconquista de espaço do pensamento progressista”.
O analista afirmou não menosprezar a importância do pleitos de 2020, mas, para ele, houve um conjunto de fatores que limitaram o significado das eleições encerradas em segundo turno neste domingo (29). Por isso, minimizou o desempenho dos partidos do campo progressista.
“A esquerda não pode se cobrar muito, avaliar-se em função do desempenho de 2020. A opinião pública não estava preparada, não houve espaço para manifestação nas ruas, a limitação de tempo de TV foi drástica”, disse.
‘Bolsonaro desmoralizado’
Apesar da importância da eleição em São Paulo e das expectativas que se criaram em torno de uma possível vitória de Guilherme Boulos (Psol), o destaque não seria nem mesmo uma eventual virada do candidato que uniu a esquerda na capital paulista. “O importante não era ele virar, mas é que Bolsonaro saiu desmoralizado e derrotado da eleição. Esse é o grande resultado.”
Coimbra também relativizou a importância da vitória do Centrão nas eleições. Desde o primeiro turno, o bloco informal do Congresso Nacional – com destaque para PP, PSD e DEM – foi considerado vencedor do pleito por diversos analistas.
“A vitória, entre aspas, do Centrão não significa nada. O Centrão não existe como partido. É apenas um ajuntamento de políticos que dão apoio a quem quer que vença a eleição presidencial. Apoiaram Collor, Itamar, Fernando Henrique, Lula, Dilma, Temer e Bolsonaro”, avaliou o presidente do Vox Populi.
“O que é o PP? Nada. O que é o PSD do Kassab? Outro nada. E esses partidos com esses nomes esquisitos que surgiram, Podemos, Avante, Republicanos? Nada. Eles vão com quem ganhar a eleição em 2022. Bolsonaro perdeu espaço, liderança, perdeu condições morais, e ficou com cara de bobo. Esse é o grande resultado da eleição”, afirmou Coimbra.
Boulos se projeta.
“Vou trabalhar a partir de agora para que o que a gente conseguiu construir e unir aqui em São Paulo sirva de inspiração para o Brasil, para derrotar o atraso e o autoritarismo”, declarou Boulos após a vitória de Bruno Covas.
Logo após o primeiro turno, analistas já consideravam que, mesmo não vencendo o segundo, Boulos havia conquistado o cenário nacional, ao chegar à disputa final contra o tucano na maior capital do Brasil. Como Roberto Amaral, presidente do PSB até 2014, segundo quem candidato do Psol “se consagra como liderança nacional”.
Em 2020, na avaliação de Vitor Marchetti, da Universidade Federal do ABC, consolidou-se um cenário com três frentes políticas: o bolsonarismo, o Centrão, e a esquerda, com a liderança do PT. “Mas a esquerda agora é mais multicêntrica, com Psol e PCdoB disputando importantes capitais”, disse.
A cientista política da Universidade Federal de São Carlos (Ufscar) Maria do Socorro Sousa Braga avaliou neste domingo de segundo turno, ao site Brasil de Fato, que, embora sem a mesma hegemonia no campo da esquerda que protagonizou nos últimos anos, “o PT continua como partido mais importante do campo da esquerda”.
A analista acrescentou que o Psol “emerge com lideranças importantes, como o Boulos, mas o PT ainda tem uma capilaridade muito maior”. Segundo ela, “a tendência é uma oxigenação maior do campo da esquerda”.
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