Ana Prestes: Há pressão externa de golpistas para derrotar a esquerda na Bolívia

Ópera Mundi: Entrevista Ana Prestes

Altman e Prestes conversaram sobre o cenário político latino-americano, as eleições presidenciais na Bolívia e o papel geopolítico da China e da Rússia

Na edição do programa SUB40 desta quinta-feira (24/09), o fundador de Opera Mundi, Breno Altman, conversou com a socióloga Ana Prestes sobre o cenário político da América Latina e o papel geopolítico da China e da Rússia. Prestes, que é autora da coluna Notas Internacionais, disse que existe uma pressão externa de forças golpistas para unificar candidaturas de direita na Bolívia com o objetivo de derrotar Luis Arce, candidato pelo Movimento ao Socialismo (MAS).

“Há uma pressão muito forte em cima dos candidatos, uma pressão inclusive externa de quem deu o golpe na prática, para unificar as candidaturas e conseguir derrotar o Arce. Há uma pesquisa que foi realizada com uma amostragem grande, com 16 mil entrevistados. Se você contar os votos válidos, o Arce ganha no primeiro turno. Isso em uma votação na área rural, na área urbana fica mais equilibrada entre Arce e [Carlos] Mesa”, disse.

A socióloga ainda disse que o pleito, o primeiro realizado após o golpe de novembro de 2019 que forçou a renúncia do ex-presidente Evo Morales, será conturbado. “Acredito que serão dias difíceis, não acho que será uma eleição tranquila. Existem iniciativas de cerceamento do direito ao voto em grandes países com comunidades bolivianas, incluindo o Brasil”, apontou.

China e Rússia

Altman e Prestes ainda conversaram sobre o papel de China e Rússia na geopolítica atual. Para a doutora em ciência política e analista de relações internacionais, o país asiático é socialista no “jeito chinês de socialismo”.

“Cada país, cada povo e cada partido comunista têm sua própria experiência e assim vai levando. A própria pandemia mostrou ao mundo isso, a capacidade dos chineses de colocar o bem-estar da população em primeiro lugar”, disse.

Para a socióloga, China e Rússia exercem um papel importante e central contra o imperialismo norte-americano, principalmente no âmbito dos Brics.

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