Banco da Inglaterra, um caso de pirataria moderna

Fernando Morais*
Não sei quem está acompanhando esta história inacreditável.
A Venezuela tinha parte de suas reservas depositada no Banco da Inglaterra – mais exatamente, 30 toneladas de ouro, avaliadas em torno de US$ 3 bilhões.
No começo do Covid-19, o presidente Nicolás Maduro autorizou o banco a vender um terço das reservas, para utilizar US$ 1 bilhão no combate à pandemia.
O Banco alegou que, como o governo Boris Johnson havia reconhecido o proxeneta político Juan Guaidó como presidente legal da Venezuela, só Guaidó poderia mexer nas reservas em ouro.
Maduro recorreu e a justiça britânica manteve a decisão do banco.
Tratava-se de uma rapina, uma pirataria, mas a urgência em salvar vidas na Venezuela obrigou Maduro a solicitar ao banco que depositasse o equivalente a US$ 1 bilhão nas mãos da OMS, ou do PNUD da ONU, que se encarregariam de comprar respiradores, máscaras, remédios e insumos – Caracas nem tocaria no dinheiro.
A resposta foi a mesma: não.
Hoje saiu uma boa notícia: o Tribunal de Apelações de Londres anulou a decisão que reconhecia Guaidó como “o único representante legítimo capaz de se desfazer das 30 toneladas de ouro do país depositadas no Banco da Inglaterra”.
Mas a guerra ainda não terminou. Segundo a sentença emitida hoje,
“antes de poder dar uma resposta definitiva às questões de reconhecimento (…) será necessário determinar se o governo de Sua Majestade reconhece o senhor Guaidó como presidente da Venezuela para todos os fins e, portanto, não reconhece o senhor Maduro como presidente.”
*Jornalista, biógrafo, político e escritor brasileiro. Sua obra literária é constituída por biografias e reportagens.
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