BRASIL: UM PAÍS ENVENENADO

Marco Antonio R. Dias*

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O jornal francês Le Monde, em sua edição datada de 11 de setembro de 2020, apresenta dados que não deixam margem a dúvidas. O Brasil é um país envenenado.

O autor do artigo é Stéphane Mandard. Afirma, de maneira peremptória, que há um comércio do qual a Europa não se orgulha. “Cada ano”, diz ele, “a União europeia (EU) autoriza, na maior opacidade, que seus campeões da agroquímica continuem a produzir e a exportar toneladas de pesticidas que ela mesma proíbe que se use em seu seio em função de sua alta toxicidade e dos riscos que representam para a saúde e o meio ambiente”.

Em 2018 foi aprovada a exportação de mais de oitenta mil toneladas. A França, por exemplo, exporta 18 substâncias proibidas de serem utilizadas na Europa. O total de pesticidas incluídos neste quadro chega a mais de quarenta. O produto mais conhecido nesta lista é o “paraquat” (erm francês), utilizado nas culturas, de milho, soja e algodão. É proibido na Europa por causar envenenamentos mortais nos agricultores. Outros produtos exportados e considerados perigosos para a saúde dos consumidores são a “dichloropropène” (em francês), usado na cultura de hortaliças; a “cyanamide” que envenena as frutas. Os grandes produtores são o Reino Unido, a Itália, Os Países Baixos (Holanda) Alemanha, França, Bélgica e Espanha. Os maiores importadores dessas substâncias, muitas delas cancerígenas, são Estados Unidos (do Trump), BRASIL (de Bolsonaro), Ucrânia, Marrocos, México e África do Sul.

O articulista assinala que os maiores importadores, por coincidência, são os principais exportadores de alimentos para a Europa: suco de laranja, café, soja. Resíduos de pesticidas ultratóxicos podem, em consequência, serem achados na mesa dos consumidores europeus. Parece brincadeira, mas este é o principal elemento que pode provocar uma reação a este comércio que, não há dúvidas, pode ser chamado de criminoso.

 

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