Previsão de Joseph Stiglitz sobre a pandemia e a economia

Joseph Stiglitz - publicado originalmente em 'Página/12' | Tradução de Victor Farinelli

''Será muito difícil recuperar uma economia global se houver muitos países no mundo com grandes dívidas'' (EFE)

O economista estadunidense Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001, afirmou que no mundo “não haverá recuperação econômica até sairmos da pandemia”. A declaração foi dada durante sua participação no encerramento da 10ª edição do Festival Puerto de Ideias, neste domingo (8/11). Além disso, opinou que “a segunda onda de covid-19 será pior do que a primeira, tanto no aspecto da saúde quanto da economia”, e que, portanto, a recuperação econômica será mais difícil.

“É preciso gastar o que for preciso (…) a ênfase deve ser reconstruir para que seja melhor, como diz (Joe) Biden”, comentou Stiglitz, referindo-se à promessa do presidente eleito dos Estados Unidos, representante do Partido Democrata, durante o discurso que deu neste sábado (7/11), durante a comemoração da sua vitória eleitoral.

O economista, que preside o think tank Initiative for Policy Dialogue, da Universidade de Columbia, também analisou o impacto que a administração do atual presidente Donald Trump teve tanto local quanto internacionalmente. “Trump ampliou as diferenças cortando impostos, o que aumentou o déficit de bilhões de dólares, mas ele foi muito esperto em esconder isso”, disse.

“Um dólar, um voto. Estamos em uma situação em que uma minoria administra políticos e não reconhece maiorias. O resultado disso é uma distorção da democracia”, disse Stiglitz, que presidiu o Conselho de Consultores Econômicos durante a presidência do democrata Bill Clinton (1993-2001).

O Prêmio Nobel de Economia participou do encerramento do evento, em discurso no qual expressou sua preocupação com o impacto da pandemia nas economias emergentes.

“Os países em desenvolvimento só podem alocar uma pequena parte de seu PIB para fazer frente aos efeitos da pandemia e, obviamente, eles são mais afetados”, explicou Stiglitz, alertando que “já existem alguns países à beira de crise, como Argentina, Equador e Líbano. ”

Segundo o Prêmio Nobel, que também foi chefe do Banco Mundial e líder da Comissão de Peritos em Reformas do Sistema Monetário e Financeiro Internacional da ONU (Organização das Nações Unidas), os países que melhor controlaram a pandemia são aqueles que, agora, começam a recuperar suas economias.

“Será muito difícil recuperar uma economia global se houver muitos países no mundo com grande dívida”, afirmou. Para o economista, os organismos financeiros multilaterais deveriam reestruturar a dívida de curto prazo dos países em desenvolvimento em empréstimos de longo prazo, medida a qual algumas potências, como os Estados Unidos e a Índia, se opuseram até agora.

Em seu livro mais recente, “Progressive Capitalism. The Answer to the Era of Unrest”, Stiglitz afirma que o capitalismo deve evoluir para se salvar, e responder a novos desafios sociais: aquecimento global, inteligência artificial, mudanças demográficas e enfraquecimento das instituições que sustentam as democracias liberais.

*Economista estadunidense Joseph Stiglitz, vencedor do Prêmio Nobel de Economia de 2001

*Publicado originalmente em ‘Página/12‘ | Tradução de Victor Farinelli

Créditos da foto: ”Será muito difícil recuperar uma economia global se houver muitos países no mundo com grandes dívidas” (EFE)

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